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Com vocês, Mathilde

Feminilidade de Anais Nïn

Feminilidade de Anais Nïn

Esse conto que eu tanto falo, da gloriosa Anais Nïn, em Delta de Vênus:

“(…) Como será que ele me vê?, ela se perguntou. Levantou-se e trouxe um espelho comprido para perto da janela. Colocou-o no chão, encostado em uma cadeira. A seguir, sentou-se defronte do espelho no tapete e, olhando para ele, abriu as pernas lentamente. A visão era encatadora. A pele era perfeita , a vulva, rosada e plena. Pensou na vulva como uma folha de grindélia, com seu leite secreto, que a pressão de um dedo podia trazer à superfície, a umidadeodorosa que surge como a umidade das conchas do mar. Foi assim que Vênus nasceu do mar, com essa pequena amêndoa de mel salgado dentro dela, que apenas as carícias podiam retirar dos recantos ocultos de seu corpo.

Mathilde ficou imagnando se poderia retirar aquela umidade de seu cerne misterioso. Abriu os dois pequenos lábios da vulva e começou a alisá-la com suavidade felina. alisou-a para frente e para trás, como Martinez fazia com os dedos morenos e mais nervosos. Lembrou dos dedos morenos em sua pele, do forte contraste entre eles, da espessura dos dedos, cujo aspecto prometia machucar a pele em vez de provocar prazerao toque. Como ele a tocava delicadamente, pensou Mathilde, como segurava a vulva entre os dedos, como se estivesse tocando um veludo. Ela segurou a vulva como ele, com o indicador e o polegar. Com a outra mão livre, continuou as carícias. Sentiu a mesma sensação de dissolvência que sentia sob os dedos de Martinez. De algum lugar estava surgindo um líquido salgado, cobrindo os lábios do sexo; elle brilhava entre os lábios.”

That’s all, folks! Vale a pena comprar o livro e ler inteiro. A feminilidade com a qual ela descreve as coisas é imbatível. Ah, década de 40!

Feliz dia do orgasmo para todas nós!

Porque vamos combinar que uma mulher que sabe gozar tem mais é que se sentir muito feliz mesmo!

Eu fico pensando o que nos deixa tão em desvantagem… As vezes eu acho que é o modo como fomos criadas, como os cobramos, como esperamos de nós mesmas. Poxa, porque para o homem é tão mais fácil? Eu tive um longo caminho até conseguir o que eu queria. Foram várias transas que eu terminada frustrada, várias conversas e desistências no meio do caminho. E, claro, várias atuações dignas de Oscars!

Depois de muita leitura, muito estudo e muita prática, hoje eu posso dizer que sou ma mulher realizada. Eu até procurei no Google algumas idéias sobre orgasmo, dicas e tal, mas nada de muito novo. E já que hoje é inevitável dar umas dicas hoje, lá vão as minhas.

1) Lembre daquele filme pornô
Pelo amor de Deus! Qualquer coisa que se passe pela sua cabeça que não seja sexo deve ser mandada embora. Vale pensar em tudo, naquele filme pornô, no Brad Pitt, no seu visinho… qualquer coisa!

2) Relaxe!
Você não é gorda, nem tem celulite, nem nada. Na hora do sexo somos todas Angelina Jolies.

3) Reloginho
Na hora das preliminares peça ao gato que coloque dois dedinhos (aprofundando de 3cm a 4cm) e mexa-os em movimentos circulares como se estivesse acertando os ponteiros de um relógio (como se fizesse um polichinelo com os dedos cruzando-os). Claro que depois de um tempinho aquela linguinha estimulando seu clitóris ajuda a fazer milagres.

4) Técnica do “por pra fora”
Essa foi uma amiga lésbica que me ensinou. E funciona, viu? No começo é um pouco difícil de se concentrar, tentar e gozar a mesmo tempo, mas vale a pena. Essa técnica consiste em abrir bastante suas pernas (sem ficar desconfortável), inclinar a pélvis para fora e relaxar a vagina, o clitóris, tudo… Pode parecer muita coisa ao mesmo tempo, mas funciona. Ah! Essa técnica vale apenas para quando o gato está no trabalho “lingual”. Claro, ela era lésbica… er!

5) E para a penetração…
Não existe nada mais perfeito do que pompoarismo. Como eu disse, nossa perseguida tem três grupos de músculos. O do meio é o nosso melhor amigo. Se você puder, depois de treinar e se exercitar, apertar o músculo do meio, você estará contraindo o local mais sensível, com maior número de terminação nervosa… o famoso ponto G!

Sugiro que nesse dia testemos todas as técnicas! Eu vou desligar o computador agora, porque dia de orgasmo não é dia de escrever posts muito longos!

Feliz orgasmosssss!

Vamos falar de pompoar

Eu demorei para colocar esse tópico aqui, primeiro porque eu acabei viajando e segundo, porque, com um mundo competitivo desses lá fora, todo diferencial é pouco, né?

Mas ok, já que a função do Pepper Life é dividir e compartilhar, vamos falar de pompoar. Por mais tabu que possa ser treinar a sua perequita com duas bolinhas, eu admiro as mães tailandesas que ensinavam suas filhas a arte de pompoar.

O pompoarismo condiciona a musculatura vaginal a ser mais saudável, a não ficar flácida após o parto e de quebra aumenta o prazer do homem e da mulher. Ou melhor, torna o orgasmo feminino muito mais fácil e prazeroso. Tudo bem, eu sei que você deve estar pensando “bullshit!”. Na verdade foi a mesma coisa que pensei quando ouvi tudo isso.

Mas, mesmo assim, ainda que não fosse para meu prazer, acabaria sendo um diferencial para meus parceiros, então resolvi treinar a técnica. No começo ouvia (e acreditava em) muitas coisas absurdas. Meu primeiro treinamento foi interromper a urina. Fiz isso várias vezes e por sorte não tive nenhuma infecção urinária. Os médicos não recomendam que isso seja feito em hipótese alguma, a urina deve ser um fluxo contínuo.

Descrente da tecnica e dos resultados, resolvi comprar um livro: “A Arte de amar”. Mas, vamos combinar, quem acredita em um livro assinado por Pp Stella Alves (Pp = pompoarista), cheias de ilustrações muito feias e pouco explicativo? De qualquer forma, o conteúdo era bem interessante. Superficial, mas interessante.

Com tempos de treino e divertidas noites de descobrimento a dois (coloque um colar de bolinhas na sua perseguida e mostre para o seu namorado enquanto tira ou “chupa” as bolinhas… diversão garantida ou seu dinheiro de volta!). Ele parecia que tinha ganhado um brinquedo novo, ficava horas tirando e pondo bolinhas, pedindo para eu segurar, chupar, expulsar. Se tiver uma linguinha para incrementar a brincadeira, então…

Foco! Foco!

Bom, depois das bolinhas vieram o cone e o vibrador. Vibrador comum, daqueles que separecem uma caneta de dez cores – não, eu não brincava com elas, era muito novinha! Ele deve estar desligado (foco!) e a mulher fica com as pernas abertas, um pouco dobradas e tenta sugar o vibrador. Pode precisar de um KY básico, mas o gel também ajudará o consolo a escorregar para baixo.

Mais um treinamento interessante é o cone. O cone é para treinar o músculo mais difícil de ser exercitado: o mais profundo ael vaginal. Ah, esqueci de dizer que são três. O mais externo é o mais fácil de controlar, o do meio é mais simples e o mais interno é o maaaais difícil! E, sinto muito, o mais legal de trabalhar, o que dá mais prazer para o homem. O cone deve ser colocado no fundo (ali onde vai o OB – sem exageros, nada de colocar o cone para sair pela boca!) da vagina e, pasme, a idéia é ficar contraindo para ele não cair. Ele é um peso, na verdade.

Mas vamos ao que interessa: orgasmo feminino. Chega de ficar se concentrando para esfregar clitóris no púbis do gato (porque se for uma gata, acredito que existam limitações para o pompoarismo)! Quando você tem uma certa prática, fica mais fácil de apertar o anel do meio, coincidentemente onde existem o maios número e terminações nervosas. Uhuuuu! DESCOBRI A PÓLVORA! E por isso compartilho com todos aqui a alegria que é pompoar. Não só para o prazer do homem, porque apertar, chupar, guilhotinar e dedilhar é legal, mas o bom mesmo é gozar com penetração, sem preliminares, em roça-roça de clitóris. Se juntar tudo isso então… uuuuuuuuuuuui!!!

Mas não desanime, ainda que com um treinamento regrado, o começo é desolador! Você naõ sente nada, não consegue nada. Bolinha, então.. esquece! Mas naõ desista, em seis meses já dá para começar a sentir resultados interessantes!

Beijos a todos e agora estou de volta!

Relatório Hite: uma revolução

Já que estamos tirando o ó da estante de livros calientes, tem um em especial que eu não posso deixar de fora. O Relatório Hite foi um livro que eu roubei da minha mãe quando estava começando a descobrir de onde vinham os bebês. Ele foi lançado em 1976 por Shere Hite quebrando tabus sobre a sexualidade feminina. Não há história para se contar, mas relatos e mais relatos.

A publicação é de um estudo realizado com 3 mil mulheres dando seus depoimentos sobre a maneira de se masturbar, a penetração, lesbianismo e escravisão sexual. Para Hite, escravidão sexual é quando a mulher acaba fazendo coisas durante o sexo para satisfazer o homem, sem necessariamente estar gostando. Um favorzinho às vezes, tudo bem, mas com os depoimentos do livro eu consigo entender porque ela virou feminista.

“Durante anos – cerca de doze – quis ter orgasmos com um homem. Parecia um sonho impossível. Com ele posso ser um eunuco agradável, mas sozinha é que posso ser um ser sexual completo”.

Azar o da nega que ficou doze anos só no self service! Nós, pessoas mais esclarecidas de 2008, temos o dever e a obrigação de gozar muito. Não conseguiu? Digita orgasmo + mulher no Google e seja feliz!

E por falar em orgasmo, vamos para com essa história de orgasmo vaginal, hein? Já deu, né? Quando você ouvir aquela sua amiga perfeita, que tem um marido lindo contar para as amigas que teve um orgasmo vaginal em 3 minutos de penetração sem preliminares, pode desbancar a fofa. GENTE, ISSO NÃO EXISTE! Quem inventou o orgasmo vaginal foi Freud, que deve ter morrido achando que deixava a mulher satisfeita e deve ter acabado perdendo para o chuveirinho.

Aliás, falando nisso, que tal uma aulinha de anatomia feminina? Se você tem vergonha do espelhinho, eu vou tentar te ajudar.

 

Então, se você olhou direitinho (e eu imploro que acaricie, toque e esfregue tudo o que você acaba de ver aqui para se conhecer) e entendeu o que está aonde, acredite: orgasmo vaginal não existe! Hoje sabe-se que o clitóris se extente para dentro do corpo (como um dedinho que só fica com a ponta para fora) e ele é estimulado por dentro da vagina, pelas terminações nervosas do enigmático Ponto G.

Voltando a Shere Hite, ela pergunta em seu relatório: o orgasmo é importante? Embora eu esteja me segurando para não escrever “como assim? alguma dúvida?” a maioria das mulheres disse que não precisavam de um orgasmo. Eu vou respirar fundo para não gritar e dizer que elas estão certas. A mulher não precisa de um orgasmo. Ela tem o direito de ter um orgasmo! E hoje, 36 anos depois desse trabalhão que teve Shere Hite, é nosso dever gozar!

Ok, sem pressão! Eu também já brochei ao olhar a celulite no espelho, o peito de lado e aquelas coisinhas que só a gente vê quando seu parceiro está pronto para o gran finale. Daí, minha amiga, já era! Pode esquecer, que pra se concentrar só com muitos pensamentos impuros.

Resumo da ópera: hoje em dia, com tecnologia, Google e red rabbit, só não goza quem não quer!