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Com vocês, Mathilde

Feminilidade de Anais Nïn

Feminilidade de Anais Nïn

Esse conto que eu tanto falo, da gloriosa Anais Nïn, em Delta de Vênus:

“(…) Como será que ele me vê?, ela se perguntou. Levantou-se e trouxe um espelho comprido para perto da janela. Colocou-o no chão, encostado em uma cadeira. A seguir, sentou-se defronte do espelho no tapete e, olhando para ele, abriu as pernas lentamente. A visão era encatadora. A pele era perfeita , a vulva, rosada e plena. Pensou na vulva como uma folha de grindélia, com seu leite secreto, que a pressão de um dedo podia trazer à superfície, a umidadeodorosa que surge como a umidade das conchas do mar. Foi assim que Vênus nasceu do mar, com essa pequena amêndoa de mel salgado dentro dela, que apenas as carícias podiam retirar dos recantos ocultos de seu corpo.

Mathilde ficou imagnando se poderia retirar aquela umidade de seu cerne misterioso. Abriu os dois pequenos lábios da vulva e começou a alisá-la com suavidade felina. alisou-a para frente e para trás, como Martinez fazia com os dedos morenos e mais nervosos. Lembrou dos dedos morenos em sua pele, do forte contraste entre eles, da espessura dos dedos, cujo aspecto prometia machucar a pele em vez de provocar prazerao toque. Como ele a tocava delicadamente, pensou Mathilde, como segurava a vulva entre os dedos, como se estivesse tocando um veludo. Ela segurou a vulva como ele, com o indicador e o polegar. Com a outra mão livre, continuou as carícias. Sentiu a mesma sensação de dissolvência que sentia sob os dedos de Martinez. De algum lugar estava surgindo um líquido salgado, cobrindo os lábios do sexo; elle brilhava entre os lábios.”

That’s all, folks! Vale a pena comprar o livro e ler inteiro. A feminilidade com a qual ela descreve as coisas é imbatível. Ah, década de 40!

Relatório Hite: uma revolução

Já que estamos tirando o ó da estante de livros calientes, tem um em especial que eu não posso deixar de fora. O Relatório Hite foi um livro que eu roubei da minha mãe quando estava começando a descobrir de onde vinham os bebês. Ele foi lançado em 1976 por Shere Hite quebrando tabus sobre a sexualidade feminina. Não há história para se contar, mas relatos e mais relatos.

A publicação é de um estudo realizado com 3 mil mulheres dando seus depoimentos sobre a maneira de se masturbar, a penetração, lesbianismo e escravisão sexual. Para Hite, escravidão sexual é quando a mulher acaba fazendo coisas durante o sexo para satisfazer o homem, sem necessariamente estar gostando. Um favorzinho às vezes, tudo bem, mas com os depoimentos do livro eu consigo entender porque ela virou feminista.

“Durante anos – cerca de doze – quis ter orgasmos com um homem. Parecia um sonho impossível. Com ele posso ser um eunuco agradável, mas sozinha é que posso ser um ser sexual completo”.

Azar o da nega que ficou doze anos só no self service! Nós, pessoas mais esclarecidas de 2008, temos o dever e a obrigação de gozar muito. Não conseguiu? Digita orgasmo + mulher no Google e seja feliz!

E por falar em orgasmo, vamos para com essa história de orgasmo vaginal, hein? Já deu, né? Quando você ouvir aquela sua amiga perfeita, que tem um marido lindo contar para as amigas que teve um orgasmo vaginal em 3 minutos de penetração sem preliminares, pode desbancar a fofa. GENTE, ISSO NÃO EXISTE! Quem inventou o orgasmo vaginal foi Freud, que deve ter morrido achando que deixava a mulher satisfeita e deve ter acabado perdendo para o chuveirinho.

Aliás, falando nisso, que tal uma aulinha de anatomia feminina? Se você tem vergonha do espelhinho, eu vou tentar te ajudar.

 

Então, se você olhou direitinho (e eu imploro que acaricie, toque e esfregue tudo o que você acaba de ver aqui para se conhecer) e entendeu o que está aonde, acredite: orgasmo vaginal não existe! Hoje sabe-se que o clitóris se extente para dentro do corpo (como um dedinho que só fica com a ponta para fora) e ele é estimulado por dentro da vagina, pelas terminações nervosas do enigmático Ponto G.

Voltando a Shere Hite, ela pergunta em seu relatório: o orgasmo é importante? Embora eu esteja me segurando para não escrever “como assim? alguma dúvida?” a maioria das mulheres disse que não precisavam de um orgasmo. Eu vou respirar fundo para não gritar e dizer que elas estão certas. A mulher não precisa de um orgasmo. Ela tem o direito de ter um orgasmo! E hoje, 36 anos depois desse trabalhão que teve Shere Hite, é nosso dever gozar!

Ok, sem pressão! Eu também já brochei ao olhar a celulite no espelho, o peito de lado e aquelas coisinhas que só a gente vê quando seu parceiro está pronto para o gran finale. Daí, minha amiga, já era! Pode esquecer, que pra se concentrar só com muitos pensamentos impuros.

Resumo da ópera: hoje em dia, com tecnologia, Google e red rabbit, só não goza quem não quer!