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Com vocês, Mathilde

Feminilidade de Anais Nïn

Feminilidade de Anais Nïn

Esse conto que eu tanto falo, da gloriosa Anais Nïn, em Delta de Vênus:

“(…) Como será que ele me vê?, ela se perguntou. Levantou-se e trouxe um espelho comprido para perto da janela. Colocou-o no chão, encostado em uma cadeira. A seguir, sentou-se defronte do espelho no tapete e, olhando para ele, abriu as pernas lentamente. A visão era encatadora. A pele era perfeita , a vulva, rosada e plena. Pensou na vulva como uma folha de grindélia, com seu leite secreto, que a pressão de um dedo podia trazer à superfície, a umidadeodorosa que surge como a umidade das conchas do mar. Foi assim que Vênus nasceu do mar, com essa pequena amêndoa de mel salgado dentro dela, que apenas as carícias podiam retirar dos recantos ocultos de seu corpo.

Mathilde ficou imagnando se poderia retirar aquela umidade de seu cerne misterioso. Abriu os dois pequenos lábios da vulva e começou a alisá-la com suavidade felina. alisou-a para frente e para trás, como Martinez fazia com os dedos morenos e mais nervosos. Lembrou dos dedos morenos em sua pele, do forte contraste entre eles, da espessura dos dedos, cujo aspecto prometia machucar a pele em vez de provocar prazerao toque. Como ele a tocava delicadamente, pensou Mathilde, como segurava a vulva entre os dedos, como se estivesse tocando um veludo. Ela segurou a vulva como ele, com o indicador e o polegar. Com a outra mão livre, continuou as carícias. Sentiu a mesma sensação de dissolvência que sentia sob os dedos de Martinez. De algum lugar estava surgindo um líquido salgado, cobrindo os lábios do sexo; elle brilhava entre os lábios.”

That’s all, folks! Vale a pena comprar o livro e ler inteiro. A feminilidade com a qual ela descreve as coisas é imbatível. Ah, década de 40!

ANAIS NIN – minha deusa inspiradora

Sim, eu sei que você se remexeu na cadeira quando leu “Anais”, mas não é o que está pensando! Eu prometo um post sobre o assunto, mas agora eu quero falar da mulher de libertou a putinha safada que existe dentro de mim.

Anais Nin foi uma grande escritora francesa da década de 40 e 50. Segundo ela, a única aberração em um ser humano era a incapacidade de amar. Anais realmente acreditava nisso. No primeiro livro que eu li, Delta de Vênus (confesso que comprei por causa da capa e do preço), a primeira história é sobre  um pai que tem um caso de amor com suas duas filhas. Bem chocante, mas nada comparado ao que estava por vir no livro: pissing, necrofilia (só um beijinho), orgias e outros devaneios.

A escritora tem como pano de fundo a França decadente, seus personagens quase sempre são pintores, artistas e modelos à procura de trabalho. Anais Nin narra (de maneira quase autobiográfica) suas andanças pelos subúrbios de París, à procura de sexo de todas as formas, muitas vezes embalados por drogas.

Meu conto favorito é o de uma de uma dama que abandona paris e vai para a América do Sul (atrás de putaria como todos muitos gringos) atrás de uma vida nova. Já na viagem conhece um marinheiro a bordo do cruzeiro e aproveita para uma festinha em sua cabine. Satisfeita, ela acaba descobrindo sua vocação: sexo. Quando chega ao seu destino, a tal dama acaba por abrir um bordel. Pausa na história! Alguém pode imaginar uma coisa mais excitante, chic, vermelha e aveludada do que um bordel latino dos anos 40? Algo no estilo Cambridge Hotel? Enfim, certa noite ela resolve convidar seus melhores cliente para uma festa. Todos fumam ópio e ela prova a deliciosa mistura de sexo e torpor. Começa a sentir suas mãos deslizarem por seu corpo, acariciando seus seios e não há ninguém que descreva melhor as sensações femininas do que Anais Nin.

Seguidora de Freud, ela deixa transparecer linhas freudianas em seus contos, o que requinta ainda mais suas descrições do prazer e do proibido. Para as ou os iniciantes, recomendo meus favoritos: Delta de Vênus e Pequenos Pássaros, que mais do que contos eróticos fabulosos, trazem as histórias de libertação.